Ações de tecnologia derrubam Nova York no pior dia desde abril de 2025, e a bolsa brasileira cai bem menos
Nesta quinta-feira, os investidores venderam com força as ações ligadas à inteligência artificial e aos chips nos Estados Unidos. Depois de os democratas conquistarem a Câmara e o Senado americanos, cresceu o receio de regras mais duras para a construção de data centers, os grandes centros de processamento que sustentam a expansão da IA. O dia anterior tinha sido de alta, e a virada foi brusca.
No Brasil, o Ibovespa, principal índice da nossa bolsa, caiu 0,82%, aos 166.191 pontos. Petrobras (-2,48%) e Embraer (-4,96%) estiveram entre as quedas, enquanto Itaú e Vale fecharam em alta. O dólar subiu 0,67%, a R$ 5,489. No resto do mundo a moeda americana ficou estável, então a pressão aqui veio de fatores locais, entre eles a dúvida sobre as contas públicas: o presidente Lula reuniu ministros e economistas, mas o governo informou que as medidas só serão apresentadas depois da viagem do presidente à COP. Os juros futuros caíram, um dia depois de o Banco Central manter a Selic em 13,75% ao ano e interromper a sequência de cortes.
Em Nova York, o S&P 500, índice das maiores empresas americanas, recuou 4,36%, e o Nasdaq, de tecnologia, perdeu 5,52%. Ações de fabricantes de chips como Micron e AMD caíram 17%. O petróleo Brent subiu 3,88%, a US$ 98,29, e recuperou parte da queda forte de quarta-feira, em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã. Nesta sexta, a venda chegou à Ásia: a bolsa do Japão caiu 5,96% e a da Coreia do Sul, 6,02%. O petróleo importa para o Brasil porque pesa na inflação e nas ações do setor.
A bolsa brasileira tem pouco peso de empresas de tecnologia e caiu bem menos que a americana. Dias como este mostram o papel da diversificação entre classes de ativos e países. Com a Selic em 13,75%, as aplicações pós-fixadas seguem com remuneração alta, e a queda dos juros futuros melhorou o preço dos títulos prefixados e atrelados à inflação. Esse ganho só vira resultado de fato para quem vende antes do vencimento. Cada carteira tem seus prazos e objetivos, e é por eles que ela deve ser avaliada.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 166.191 pontos | -0,82% |
| Dólar | R$ 5,489 | +0,67% |
| S&P 500 | 7.353,73 | -4,36% |
| Nasdaq | 24.315,00 | -5,52% |
| Petróleo Brent | US$ 98,29 | +3,88% |
Fechamento de 05/11/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Copom. o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano por unanimidade, depois de cinco cortes seguidos. O comunicado cita inflação acima do teto da meta e um ambiente externo mais adverso. A ata da reunião sai no dia 10 de novembro.
- Contas públicas. o presidente Lula fala em cadeia nacional no domingo, 8 de novembro. Segundo Dario Durigan, da equipe econômica, as medidas fiscais serão apresentadas depois da viagem do presidente à COP, com foco em reforçar as regras já existentes.
- Indústria. a produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro, segundo o IBGE, e acumula perda de 4,1% desde maio. É mais um sinal de desaceleração da atividade.
- Emprego nos EUA. sai nesta sexta, às 10h30, o relatório de empregos de outubro, um dos dados mais acompanhados pelo Federal Reserve, o banco central americano. A expectativa é de 59 mil vagas criadas e desemprego estável em 4,2%.
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