Dólar recua e juros devolvem parte da alta com recompra do Tesouro, mas a bolsa cai mais 0,51%
Depois do tombo de segunda-feira, o mercado brasileiro teve ontem (27/10) um dia de alívio parcial. A principal ajuda veio do Tesouro Nacional, que recomprou R$ 16,8 bilhões em títulos atrelados à inflação e cancelou todos os leilões de venda de títulos previstos para a semana. Somadas as duas operações, foram cerca de R$ 31,6 bilhões recomprados em dois dias para reduzir a volatilidade.
O dólar caiu 0,97% e fechou a R$ 5,35, devolvendo uma parte da alta de 8,21% da véspera. No exterior a moeda americana subiu 0,35% contra as principais moedas, então o alívio foi do real. Os juros futuros recuaram cerca de 0,45 ponto percentual, e o Tesouro Prefixado 2032 passou de 15,42% para 15,08% ao ano. A bolsa não acompanhou: o Ibovespa chegou a subir 1,1% durante o pregão, mas virou e fechou em queda de 0,51%, aos 175.710 pontos. Vale e Petrobras caíram cerca de 2%, acompanhando minério e petróleo, e os bancos recuaram depois que Citi e BCA Research reduziram a recomendação para ativos brasileiros.
Em Nova York, as ações de tecnologia puxaram as bolsas: o S&P 500 subiu 0,60% e o Nasdaq 1,18%. O petróleo Brent caiu 1,67%, a US$ 113,88 o barril, depois que o Irã sinalizou disposição para um acordo que reabra o Estreito de Ormuz. Hoje às 15h o Federal Reserve, banco central americano, anuncia sua decisão de juros, e o mercado espera manutenção. Na Ásia, a bolsa da Coreia do Sul subiu 6,6% nesta madrugada, puxada pelo resultado recorde da fabricante de chips SK Hynix.
A recompra do Tesouro ajudou a acalmar os juros, mas o mercado ainda espera a definição da equipe econômica do novo mandato e sinais sobre as contas públicas a partir de 2027. Enquanto isso não vem, a oscilação deve continuar, e o extrato reflete isso principalmente em ações e em títulos prefixados e IPCA+ longos, que têm o preço atualizado todo dia. Para quem leva esses títulos até o vencimento, a taxa contratada não muda. Qualquer decisão sobre a carteira vale uma conversa com o assessor, olhando o objetivo de longo prazo de cada um.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 175.710 pontos | -0,51% |
| Dólar | R$ 5,350 | -0,97% |
| S&P 500 | 7.722,60 | +0,60% |
| Petróleo Brent | US$ 113,88 | -1,67% |
Fechamento de 27/10/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Tesouro e juros. o Tesouro recomprou ontem títulos IPCA+ com vencimentos de 2030 a 2045 e cancelou também o leilão de títulos atrelados à Selic, que tinha sido mantido. Nesta semana não haverá venda regular de títulos públicos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que autorizou novas recompras se as condições justificarem.
- Bancos revisam o Brasil. Citi e BCA Research reduziram a recomendação para ações, títulos e moeda brasileiros depois do resultado da eleição, citando uma relação entre risco e retorno pior. Na véspera, o JPMorgan já tinha feito o mesmo movimento com o real e os títulos públicos.
- Juros nos EUA. o Fed anuncia hoje às 15h sua decisão, com a taxa atual entre 3,75% e 4,00% ao ano. Cerca de 90% do mercado espera manutenção. Nesta semana também decidem o Banco Central Europeu e o Banco do Japão.
- Copom. o Banco Central brasileiro decide a Selic, hoje em 13,75% ao ano, no dia 4 de novembro. Depois da eleição, o mercado de juros futuros passou a embutir alta da taxa nas reuniões seguintes.
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