Bolsa cai pela sexta sessão seguida e dólar fecha no maior valor do ano, com decisão sobre os juros nesta quarta
O mercado brasileiro voltou do feriado de Finados com a preocupação sobre as contas públicas de novo em primeiro plano. Os investidores reagiram à notícia de um encontro do presidente Lula com o economista André Lara Resende, que defende levar a Selic, a taxa básica de juros, a 7,5% ao ano em 12 meses. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta tem deficiências e não está na mesa do governo. Ainda assim, bolsa, dólar e juros reagiram mal, em um momento em que o mercado também aguarda a definição da equipe econômica.
O Ibovespa, principal índice da nossa bolsa, caiu 1,42%, aos 165.528 pontos, a sexta queda seguida e o menor fechamento desde janeiro. No ano, o índice ainda acumula alta de 2,73%. A Petrobras recuou 3,79%, acompanhando o petróleo, e a Vale perdeu 2,85%. O dólar subiu 0,79%, a R$ 5,487, maior valor do ano, enquanto o índice que mede a moeda americana no mundo ficou praticamente parado desde sexta. Foi o real que perdeu valor. Os juros futuros também subiram: o contrato com vencimento em janeiro de 2028 fechou em 14,57% ao ano, contra 14,48% no pregão anterior.
Nos Estados Unidos, o S&P 500, índice das maiores empresas americanas, subiu 0,36%. Na eleição de meio de mandato, os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado. Os mercados futuros caíram de madrugada e viraram depois que o presidente Trump disse que vai trabalhar com os democratas. O petróleo Brent recuou 1,12%, a US$ 103,60, a segunda queda seguida, com a expectativa de um acordo entre EUA e Irã, embora uma autoridade iraniana diga que ele ainda está distante. O petróleo importa para o Brasil porque pesa na inflação e nas ações do setor.
Na carteira, juros mais altos têm dois lados. Reduzem por ora o preço de títulos prefixados e atrelados à inflação que já estão em carteira, e essa oscilação só vira resultado de fato para quem vende antes do vencimento. Por outro lado, elevam a taxa disponível em novas aplicações de renda fixa. Cada carteira tem seus prazos e objetivos, e é por eles que ela deve ser avaliada, mais do que por uma sequência de pregões. Qualquer dúvida, nossa equipe está à disposição.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 165.528 pontos | -1,42% |
| Dólar | R$ 5,487 | +0,79% |
| S&P 500 | 7.568,92 | +0,36% |
| Petróleo Brent | US$ 103,60 | -1,12% |
| Índice do Dólar, DXY | 101,87 | +0,12% |
Fechamento de 03/11/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Copom nesta quarta. o Banco Central anuncia a decisão sobre a Selic às 18h30. A taxa está em 13,75% ao ano. As opções negociadas na B3 indicavam cerca de 69% de chance de manutenção e 28% de corte de 0,25 ponto.
- Expectativas. o Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com o mercado, projeta Selic de 13,50% no fim de 2026 e de 12,50% no fim de 2027, com inflação de 5,22% neste ano e 4,76% no próximo.
- Balanço do Itaú. o banco lucrou R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% em um ano e em linha com o que o mercado esperava. O resultado saiu depois do fechamento da bolsa de terça.
- Emprego. o Caged, com as vagas formais de setembro no Brasil, sai nesta quarta às 14h30. Na sexta, os EUA divulgam o relatório de emprego de outubro, um dos dados mais acompanhados pelo Federal Reserve, o banco central americano.
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