Contas públicas piores e juro americano recorde derrubam a bolsa, e o dólar vai a R$ 5,19
O governo revisou para pior as contas públicas de 2026 nesta quinta-feira (24/09). No relatório bimestral de receitas e despesas, a arrecadação prevista para o ano caiu R$ 15,7 bilhões, e a projeção de resultado que conta para a meta fiscal passou de um superávit de R$ 10,8 bilhões para um déficit de R$ 13,6 bilhões. No mesmo dia, os juros dos títulos de 30 anos do governo americano chegaram a 5,50%, o maior nível desde 2004, e os de 10 anos tocaram 5,22%.
Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,99% e fechou aos 183.965 pontos, praticamente na mínima do dia. Foi a segunda queda seguida, e na semana o índice recua 0,68%. O dólar subiu 0,47%, para R$ 5,19, maior fechamento desde 28 de agosto. O índice que mede a força do dólar no mundo subiu menos, 0,19%, então o real perdeu mais força do que a média das moedas. Os juros futuros voltaram a subir, perto de 0,1 ponto percentual nos prazos de dois a cinco anos. À noite, o Datafolha mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, e empate técnico no segundo.
Lá fora, as bolsas americanas fecharam estáveis: o S&P 500 recuou 0,02%. A alta dos juros veio de dados fortes da economia americana e de falas de dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano. John Williams, do Fed de Nova York, disse que é razoável esperar mais uma alta de juros até o fim do ano. O petróleo Brent subiu 3,41%, para US$ 106,60 o barril, depois que a Arábia Saudita interceptou mísseis lançados pelos houthis do Iêmen. Nesta manhã ele recua para perto de US$ 105, com relatos de conversas entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca terminou sem acordo concreto.
Para o investidor, contas públicas mais frágeis e juros altos lá fora pesam sobre a bolsa e o câmbio no curto prazo. Na renda fixa, a alta das taxas reduz o valor de mercado dos títulos já em carteira e, ao mesmo tempo, aumenta o retorno contratado por quem aplica agora. Uma semana de juros em alta não muda o plano de quem investe para o longo prazo, e a composição de cada carteira segue o perfil e os objetivos de cada investidor.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 183.965 pontos | -0,99% |
| Dólar | R$ 5,193 | +0,47% |
| S&P 500 | 7.704,13 | -0,02% |
| Índice do Dólar (DXY) | 101,29 | +0,19% |
| Petróleo (Brent) | US$ 106,60 | +3,41% |
Fechamento de 24/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Reajuste do Bolsa Família. O mesmo relatório fiscal abriu espaço para um aumento de 15% no Bolsa Família a partir de outubro, com benefício mínimo passando de R$ 600 para R$ 691. O custo é de R$ 5,8 bilhões neste ano e perto de R$ 22 bilhões em 2027.
- Inflação de setembro. O IBGE divulga hoje, às 9h, o IPCA-15, a prévia da inflação oficial. A projeção do mercado é de alta de 0,55% no mês. O dado ajuda a medir o espaço do Banco Central para os próximos passos da Selic.
- Juros altos no mundo todo. A alta das taxas não ficou restrita aos EUA. No Japão, os juros dos títulos de 10 anos foram ao maior nível desde 1996, e os títulos do Reino Unido e da Alemanha também subiram. O mercado passou a ver mais de 75% de chance de o Fed subir os juros em outubro.
- Petróleo na semana. Mesmo com a alta de ontem, o petróleo americano (WTI) caminha para uma queda perto de 7% na semana. O preço do barril tem oscilado conforme as notícias das negociações entre Estados Unidos e Irã.
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