Juro americano no maior nível desde 2007 derruba as bolsas, e o dólar volta a R$ 5,17
O mercado virou no meio do dia nesta quarta-feira (23/09). A bolsa brasileira abriu em alta, mas o humor mudou quando os juros dos títulos do governo americano de 10 anos, referência para o custo do dinheiro no mundo todo, subiram para 5,12%, o maior nível desde 2007. O gatilho foi um indicador da indústria dos Estados Unidos bem mais forte do que o esperado, que reforçou a aposta de que o Federal Reserve, o banco central americano, volte a subir os juros em outubro.
Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a subir 0,7% pela manhã e fechou em queda de 0,86%, aos 185.814 pontos. A Petrobras foi exceção e subiu 2,59%, acompanhando o petróleo. O dólar subiu 1,28%, para R$ 5,17. O índice que mede a força do dólar no mundo subiu bem menos, 0,38%, ou seja, o real perdeu bem mais força do que a média das moedas. Os juros futuros subiram cerca de 0,1 ponto percentual em quase todos os prazos, e uma nova pesquisa eleitoral também esteve no radar dos investidores.
Lá fora, as bolsas americanas caíram: o S&P 500 recuou 0,75% e o Nasdaq, índice das empresas de tecnologia, 1,13%. O petróleo Brent subiu 3,86%, para US$ 103,08 o barril, depois que o presidente do Irã disse na Assembleia da ONU que o país nunca vai se render aos Estados Unidos. Foi a primeira alta depois de cinco quedas seguidas. Nesta quinta, as bolsas da China fecharam em queda antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca.
Para o investidor, juros mais altos lá fora costumam pressionar a bolsa e o câmbio no curto prazo. Na renda fixa, a alta das taxas pesa sobre os títulos já em carteira, que são marcados a mercado, e ao mesmo tempo eleva o retorno de quem aplica agora. Um dia de juros altos lá fora não muda o plano de quem investe para o longo prazo, e a composição de cada carteira segue o perfil e os objetivos de cada investidor.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 185.814 pontos | -0,86% |
| Dólar | R$ 5,168 | +1,28% |
| S&P 500 | 7.706,03 | -0,75% |
| Índice do Dólar (DXY) | 101,10 | +0,38% |
| Petróleo (Brent) | US$ 103,08 | +3,86% |
Fechamento de 23/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Trump e Xi na Casa Branca. O presidente chinês faz visita de Estado a Washington nesta quinta, com reunião bilateral e jantar oficial. Estão na pauta comércio, inteligência artificial, a guerra envolvendo o Irã e Taiwan. As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em queda à espera do encontro.
- Banco Central revisa o PIB. No Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta, o BC reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 de 2% para 1,8%, e projeta 1,4% para 2027. A inflação acumulada em 12 meses até agosto está em 4,22%.
- IPCA-15 na sexta. O IBGE divulga na sexta (25/09) a prévia da inflação de setembro. A projeção do mercado é de alta de 0,55% no mês, um dado importante para a trajetória dos juros por aqui.
- Petróleo acima de US$ 100. O Brent segue subindo nesta manhã, perto de US$ 105. Sem sinais concretos de acordo entre Estados Unidos e Irã, o preço do barril voltou a ficar acima dos US$ 100.
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