Semana de decisão de juros: o Fed subiu nos Estados Unidos, o Copom cortou no Brasil
Na quarta-feira o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa básica de juros americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%. É a primeira alta em mais de três anos, e o comunicado deixou a porta aberta para novos aumentos. No mesmo dia, aqui no Brasil, o Copom seguiu no caminho oposto e cortou a Selic para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido, apoiado na inflação de agosto, que veio em -0,32%, a menor leitura em quatro anos.
A quinta-feira (17/09) por aqui teve dois tempos bem distintos. Pela manhã, o anúncio do reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que leva o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691, reacendeu a discussão sobre as contas públicas. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a cair 1,24% e o dólar subiu. À tarde o mercado mudou de humor e o índice terminou o dia em alta de 0,24%, aos 185.992 pontos. O dólar fechou a R$ 5,139, queda de 0,24%. Lá fora, o índice que mede a força da moeda americana no mundo praticamente não se mexeu, o que indica que o movimento veio mais do real do que de uma fraqueza geral do dólar. Os juros futuros brasileiros caíram em todos os prazos.
Nos Estados Unidos o dia foi de recuperação. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, subiu 1,14%, e o Nasdaq, das empresas de tecnologia, avançou 1,69%. O gatilho foi a queda do petróleo, que reduziu o receio de inflação e derrubou a taxa dos títulos do governo americano de dez anos para abaixo de 5% de novo. O Brent, petróleo de referência mundial, recuou 0,95% no dia e segue caindo nesta sexta, depois que a Arábia Saudita informou que um oleoduto importante, parado por causa de ataques, deve voltar a operar em breve. Nesta sexta-feira o Banco do Japão encerrou a rodada de decisões subindo seus juros para 1,25%, o maior patamar desde 1995, e as bolsas asiáticas fecharam em alta.
Para quem investe, o ponto de atenção da semana é a mudança de direção entre os dois bancos centrais. Juros subindo lá fora e caindo por aqui reduzem, aos poucos, a distância entre o rendimento do Brasil e o do exterior, ainda que a Selic siga em um patamar alto na comparação internacional. Na renda fixa pós-fixada, o rendimento acompanha a Selic e tende a acompanhar essa queda ao longo do tempo. Nada disso muda a leitura de longo prazo de uma carteira bem montada: mudanças de ciclo de juros fazem parte do percurso, e o que costuma pesar mais no resultado é a consistência da alocação do que o movimento de um mês.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 185.992 pontos | +0,24% |
| Dólar | R$ 5,139 | -0,24% |
| S&P 500 | 7.637,76 | +1,14% |
| Petróleo (Brent) | US$ 104,82 | -0,95% |
| Índice do Dólar (DXY) | 100,22 | -0,09% |
Fechamento de 17/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Ata do Copom na terça. o Banco Central publica na manhã de 22/09 o documento que detalha por que cortou a Selic para 13,75%. É o texto que o mercado lê para calibrar a expectativa dos próximos passos da taxa de juros.
- Petróleo em queda. o Brent saiu da máxima de quatro meses registrada na terça, perto de US$ 106, e opera nesta sexta ao redor de US$ 103. A Arábia Saudita informou que seu oleoduto Leste-Oeste, com capacidade de escoar 7 milhões de barris por dia, pode voltar a operar nos próximos dias. Petróleo mais barato alivia a pressão sobre a inflação mundial.
- Conta pública no radar. o reajuste de 15,04% no Bolsa Família foi o assunto que mexeu com o pregão de quinta. O mercado tende a reagir a qualquer medida com impacto no orçamento, e o calendário eleitoral mantém esse tema em evidência nos próximos meses.
- Juros subindo no mundo desenvolvido. depois do Fed, o Banco do Japão elevou sua taxa para 1,25% nesta sexta, o maior nível desde 1995. Quando os juros sobem nas economias desenvolvidas, parte do capital que circula pelo mundo tende a ficar mais seletiva com países emergentes.
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