Juros sobem nos EUA e caem no Brasil no mesmo dia, e a bolsa brasileira fecha em leve queda
A quarta-feira (16/09) foi dia de decisão dos bancos centrais dos dois países, e eles foram em direções opostas. O Federal Reserve, banco central americano, subiu os juros pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, e indicou que pode subir mais uma vez até dezembro. À noite, o Copom, do Banco Central brasileiro, cortou a Selic para 13,75% ao ano, quinta redução seguida, sem dizer o que fará na próxima reunião, em 4 de novembro.
Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa, caiu 0,51% e fechou aos 185.548 pontos. Petrobras e Vale, as duas empresas de maior peso no índice, recuaram mais de 3% e 2%, respectivamente, acompanhando a queda do petróleo e do minério de ferro. Ações de varejo como Magazine Luiza, Assaí e Renner foram na direção contrária e subiram. O dólar ficou praticamente estável, a R$ 5,15. No mesmo dia, o índice que mede a força do dólar no mundo subiu 0,66%, então o real se segurou bem num dia de moeda americana forte lá fora. Os juros de prazos mais longos negociados na bolsa caíram.
Nos Estados Unidos, a alta de juros pesou sobre as bolsas: o Dow Jones caiu 1,21% e o S&P 500, 0,45%. A taxa do título de 10 anos do governo americano passou de 5%, o maior nível em 19 anos. O petróleo Brent caiu 2,69%, para US$ 105,83 o barril, depois de uma reunião entre autoridades americanas e representantes dos houthis, grupo rebelde do Iêmen, em Omã. A Arábia Saudita também trabalha para retomar parte de um oleoduto atingido por drones na semana passada. Nesta quinta de manhã, o petróleo segue em queda e os mercados futuros americanos sobem.
Para o investidor brasileiro, juros subindo lá fora e caindo aqui mexem principalmente com câmbio e renda fixa, e é comum que esses mercados oscilem mais nos dias seguintes a decisões como essas. A economia brasileira também dá sinais de desaceleração: a prévia do PIB calculada pelo Banco Central caiu 0,22% em julho. Movimentos de um único dia não mudam uma estratégia de longo prazo montada de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 185.548 pontos | -0,51% |
| Dólar | R$ 5,151 | -0,06% |
| S&P 500 | 7.551,81 | -0,45% |
| Petróleo (Brent) | US$ 105,83 | -2,69% |
| Índice do Dólar (DXY) | 100,31 | +0,66% |
Fechamento de 16/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Fed sobe juros. O banco central americano elevou os juros em 0,25 ponto, em decisão unânime. As projeções dos dirigentes passaram a indicar juros de 4,1% no fim do ano, o que sugere mais uma alta até dezembro.
- Selic a 13,75%. O Copom cortou a taxa básica em 0,25 ponto, como o mercado esperava. O comunicado citou a incerteza com o conflito no Oriente Médio e deixou em aberto os próximos passos.
- Petróleo recua. O Brent caiu pelo segundo dia seguido após a conversa entre EUA e houthis em Omã e os planos sauditas de retomar metade da capacidade do oleoduto Leste-Oeste em poucos dias. O barril segue acima de US$ 100.
- Atividade mais fraca. O IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, caiu 0,22% em julho. Junto com a queda das vendas no varejo no mesmo mês, o dado reforça a leitura de economia perdendo ritmo no segundo semestre.
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