Bolsa recua na sexta, mas fecha a quarta semana de alta; juros serão decididos aqui e nos EUA na mesma quarta-feira
A inflação dominou a sexta-feira (11/09). No Brasil, o IPCA de agosto veio negativo, com deflação de 0,32%. Nos Estados Unidos, os preços ao consumidor subiram 0,4% no mês, dentro do esperado, mas o núcleo, que tira da conta alimentos e energia, veio acima das projeções. O resultado fortaleceu a aposta de que o Fed, o banco central americano, vai subir os juros na quarta-feira.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,56%, aos 187.206 pontos, e ainda assim acumulou alta de 1,11% na semana, a quarta seguida no positivo. As maiores quedas do dia foram de Hapvida e CSN. A crise no STF em torno das investigações do Banco Master seguiu no noticiário como pano de fundo. O dólar subiu 0,44%, para R$ 5,125. Como o índice que mede a força do dólar no mundo ficou praticamente parado, foi o real que perdeu valor, e não a moeda americana que ganhou força lá fora. A deflação de agosto veio de itens que costumam oscilar, como energia elétrica e passagens aéreas.
Em Nova York, as bolsas subiram perto de 1% e interromperam quatro dias de queda. O petróleo Brent recuou 2,81%, para US$ 104,61 o barril, depois de subir 8,65% na semana, e isso tirou um pouco da pressão sobre a inflação. Nesta segunda de manhã o petróleo voltou a subir mais de 3%, para cerca de US$ 108. A Arábia Saudita fechou por precaução um de seus principais oleodutos depois de um ataque com drones dos houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. Na Ásia, as bolsas da Coreia do Sul e do Japão caíram puxadas por empresas de tecnologia, depois do anúncio de que a OpenAI não vai abrir capital em 2026.
A semana concentra as decisões mais esperadas do mês. Na quarta-feira (16/09), o Fed e o Copom anunciam os juros no mesmo dia. O mercado aposta em alta nos Estados Unidos e em novo corte da Selic por aqui, hoje em 14% ao ano. Essas decisões afetam de formas diferentes a renda fixa, a bolsa e o câmbio, e o efeito em cada carteira depende do perfil e dos objetivos de cada investidor. Uma reunião isolada raramente muda um plano de longo prazo bem montado.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 187.206 pontos | -0,56% |
| Dólar | R$ 5,125 | +0,44% |
| S&P 500 | 7.656,98 | +0,86% |
| Petróleo (Brent) | US$ 104,61 | -2,81% |
| Índice do Dólar (DXY) | 99,12 | +0,03% |
Fechamento de 11/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Juros aqui e nos EUA (16/09). o Fed anuncia sua decisão às 15h e o Copom às 18h30. As opções de Copom negociadas na B3 indicavam 95% de chance de corte de 0,25 ponto, levando a Selic para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o mercado vê cerca de 85% de chance de alta de 0,25 ponto.
- Combustíveis. com o petróleo acima de US$ 100, o governo ampliou as medidas no dia 9. A gasolina teve corte de R$ 0,63 por litro em PIS e Cofins, o diesel ganhou subsídio inicial de R$ 1,00 por litro e o etanol hidratado teve os tributos zerados. O pacote reserva R$ 6,6 bilhões em créditos extraordinários.
- Tecnologia em queda na Ásia. a bolsa da Coreia do Sul caiu 3,3% nesta segunda, com SK Hynix e Samsung, e o SoftBank perdeu 11% em Tóquio. Além da desistência do IPO da OpenAI, executivos americanos alertaram para uma desaceleração na construção de infraestrutura de inteligência artificial.
- Inflação de agosto. o IPCA caiu 0,32%, um pouco abaixo dos -0,29% esperados. Analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que o alívio pode ser passageiro, já que câmbio, petróleo e clima seguem pressionando os preços.
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