Falar com um sócio
Início › Conteúdo › Fechamento do dia

Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 09/09/2026 (quarta-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Petróleo volta a passar de US$ 100 e derruba as bolsas, com o governo reagindo pelo lado dos combustíveis

O barril de petróleo do tipo Brent, referência mundial, fechou a quarta-feira (09/09) a US$ 101,21, alta de 3,36% no dia. Foi o primeiro fechamento acima dos US$ 100 desde julho. Por trás do movimento está a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã: os americanos afirmam ter destruído cinco petroleiros iranianos, e o Irã diz ter atingido uma base americana na Jordânia e quase 20 navios no Golfo. O reflexo prático aparece no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Na quarta, seis embarcações de commodities cruzaram a região, contra uma média de cerca de doze nos últimos dez dias.

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,93% e fechou aos 185.629 pontos, na maior queda em quatro semanas. As ações de bancos foram o principal peso, com o índice do setor recuando 2,08%, enquanto papéis ligados a matérias-primas subiram, caso da CSN (+7,40%) e da Petrobras (+0,85% nas ações ordinárias). O dólar avançou 0,52%, para R$ 5,1123. Vale um detalhe: o índice que mede a força do dólar no mundo ficou praticamente parado no mesmo dia. Ou seja, foi o real que perdeu terreno, não a moeda americana que ganhou força globalmente. Os juros futuros também subiram por toda a curva, movimento que reflete a expectativa de que combustível mais caro pressione a inflação lá na frente.

Lá fora, o clima foi o mesmo. Em Nova York, o índice S&P 500 caiu 0,48%, o Dow Jones recuou 0,77% e a Nasdaq perdeu 0,64%. Na Europa, o Stoxx 600 teve a pior sessão da semana, com queda de 1,41%. O raciocínio do investidor global é direto: petróleo caro alimenta inflação, e inflação mais alta reduz o espaço para os bancos centrais cortarem juros. Ainda na quarta, o governo brasileiro anunciou um pacote para segurar o repasse do barril para a bomba, com corte de R$ 0,63 por litro em tributos federais sobre a gasolina, alíquotas zeradas no etanol hidratado e uma subvenção de R$ 1,00 por litro para o diesel rodoviário, com validade inicial até 9 de outubro.

Para o investidor brasileiro, o efeito prático de um choque como esse costuma aparecer em duas frentes: no preço dos combustíveis, que a desoneração anunciada tende a atenuar por algumas semanas, e nos juros, que já se ajustaram nesta quarta. Uma carteira bem montada normalmente já convive com esses dois efeitos, com parte em papéis atrelados à inflação e parte em prefixados. O calendário desta sexta-feira (11/09) ajuda a medir o tamanho real do problema, com a divulgação do IPCA de agosto no Brasil e da inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Movimentos de um único pregão, ainda mais com origem geopolítica, dizem pouco sobre objetivos que se medem em anos. Nossa equipe segue acompanhando de perto.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa185.629 pontos-0,93%
DólarR$ 5,1123+0,52%
Petróleo (Brent)US$ 101,21+3,36%
S&P 5007.636,36-0,48%
Índice do Dólar (DXY)98,77-0,07%

Fechamento de 09/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Combustíveis mais baratos na bomba. o decreto publicado na quarta reduz em R$ 0,63 por litro os tributos federais sobre a gasolina e zera as alíquotas do etanol hidratado, o equivalente a R$ 0,19 por litro. Para o diesel rodoviário, uma medida provisória autoriza subvenção de R$ 1,00 por litro. O governo lembra que mais de um quarto do diesel consumido no país vem de importação, o que torna o preço interno sensível ao que acontece no exterior.
  • Inflação nesta sexta, aqui e nos EUA. o IBGE divulga o IPCA de agosto na sexta-feira (11/09). O Bradesco projeta queda de 0,26% no mês, puxada pela conta de luz mais barata por causa do bônus de Itaipu. No mesmo dia sai a inflação ao consumidor americana, com expectativa de alta de 0,4% no mês.
  • Banco Central Europeu decide juros hoje. a autoridade monetária da zona do euro anuncia sua decisão nesta quinta-feira (10/09), seguida de coletiva de imprensa. O tom da comunicação sobre o efeito do petróleo na inflação europeia é o ponto que o mercado deve acompanhar de perto.
  • Ormuz continua no centro da história. nesta manhã de quinta o Irã declarou estar preparado para uma guerra mais intensa, e o petróleo seguiu subindo. Enquanto o tráfego de navios pelo estreito não normalizar, o barril tende a seguir como o principal fator de oscilação dos mercados.

O BTG Pactual não fornece opiniões jurídicas ou tributárias. Sendo assim, esse material não constitui aconselhamento legal de qualquer natureza. Este é um breve resumo de cunho meramente informativo, não configurando análise de valores mobiliários, e não tendo como objetivo a consultoria, oferta, solicitação de oferta, ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento ou produto específico. Embora as informações e opiniões expressas aqui tenham sido obtidas de fontes confiáveis e fidedignas, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. Ressaltamos também, que as opiniões expressas neste material refletem a opinião do respectivo profissional e não necessariamente expressam a opinião do BTG Pactual, não devendo ser tratadas como tal. As informações contidas neste material não podem ser consideradas como única fonte de informações no processo decisório do investidor, que, antes de tomar qualquer decisão, deverá realizar uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos, face aos seus objetivos pessoais e ao seu perfil de risco ("Suitability").

Edições anteriores
WhatsApp