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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 01/09/2026 (terça-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Bolsa brasileira sobe pelo décimo pregão seguido enquanto o mundo cai com a escalada entre EUA e Irã

O pregão de terça-feira (01/09) foi marcado pela volta da tensão no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram alvos militares iranianos perto do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo, depois que dois navios petroleiros foram atingidos na região. O Irã respondeu com mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. O petróleo tipo Brent, referência internacional, disparou 4,6% e chegou a US$ 94,65 o barril, o maior preço em cinco semanas.

Aqui no Brasil aconteceu o contrário do resto do mundo. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,30% e fechou aos 179.722 pontos, a décima alta consecutiva, chegando perto da marca dos 180 mil pontos. A explicação está na composição do índice: a Petrobras avançou mais de 4% junto com o petróleo, a CSN subiu quase 8%, e os bancos também fecharam no positivo. O volume negociado foi de R$ 21,6 bilhões, bem acima da média recente de R$ 16,8 bilhões, sinal de que o movimento teve dinheiro de verdade por trás. O dólar caiu 0,47% e fechou a R$ 5,1557, mesmo com o índice que mede a força da moeda americana no mundo subindo 0,24%. Ou seja, o real se valorizou por motivos próprios, não porque o dólar enfraqueceu lá fora.

Lá fora o clima foi bem diferente. As bolsas americanas fecharam em queda, com o S&P 500 recuando 0,71%, e o motivo vai além do conflito em si. Petróleo mais caro significa inflação mais alta, e isso mudou a leitura do mercado sobre o banco central americano. Uma semana atrás, os investidores viam 39,6% de chance de o Federal Reserve SUBIR os juros na reunião de 16 de setembro. Ontem essa probabilidade saltou para 68,2%. Até pouco tempo atrás, a discussão por lá era sobre quando os juros americanos começariam a cair.

Para quem investe daqui, o momento é curioso: a bolsa brasileira vem de dez altas seguidas justamente quando o mundo fica mais nervoso, ajudada pelo peso das empresas de petróleo e mineração no índice. Sequências longas de alta costumam vir acompanhadas de correções, e um cenário de juros subindo nos Estados Unidos tende a atrapalhar mercados emergentes como o nosso. Nada disso muda a lógica de uma carteira bem construída, que é montada olhando o objetivo de cada investidor e um horizonte de anos, não o resultado de um pregão. Se você quiser entender como esses movimentos conversam com a sua posição, seu assessor está à disposição.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa179.722 pontos+1,30%
DólarR$ 5,1557-0,47%
Petróleo (Brent)US$ 94,65+4,60%
S&P 5007.631,47-0,71%
Índice do Dólar (DXY)99,67+0,24%

Fechamento de 01/09/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Petróleo e Estreito de Ormuz. o conflito voltou a mexer com o preço do barril depois que dois petroleiros foram atingidos ao deixar o estreito. Nesta manhã, o governo da Arábia Saudita acusou o Irã de atacar mais um navio saudita na mesma região. O Brent segue acima de US$ 95, e o mercado acompanha se haverá interrupção real no fornecimento.
  • Juros nos Estados Unidos. o Federal Reserve se reúne em 16 de setembro e o mercado já vê 68,2% de chance de alta de juros, contra 39,6% uma semana atrás. Juros mais altos por lá costumam atrair dinheiro que hoje está em países emergentes, então esse é um dos pontos mais importantes para acompanhar nas próximas duas semanas.
  • Economia brasileira desacelerando. o PIB do segundo trimestre veio em 0,5%, confirmando que a atividade perdeu ritmo. Para o mercado, atividade mais fraca abre espaço para o Banco Central cortar a Selic mais adiante, o que ajuda a explicar por que os juros futuros por aqui caíram no mesmo dia em que os juros americanos subiram.
  • Agenda desta semana. a produção industrial de julho sai hoje pela manhã e o relatório de emprego americano, o payroll, sai na sexta-feira (04/09). O payroll é o dado que costuma pesar mais na decisão do banco central americano, então a sexta tende a ser um dia de maior oscilação nos mercados.
  • Ouro perdeu força. mesmo com o aumento da tensão geopolítica, o ouro caiu 1,88% e fechou a US$ 4.348 a onça. O metal costuma subir em momentos de medo, e o comportamento diferente desta vez tem a ver com a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos, que torna aplicações em renda fixa americana mais atrativas do que o ouro.

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