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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 31/08/2026 (segunda-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Bolsa brasileira emenda a nona alta seguida, enquanto o mercado americano volta a falar em aumento de juros

A segunda-feira (31/08) terminou com Brasil e Estados Unidos andando em direções opostas. Por aqui a bolsa subiu pelo nono pregão consecutivo. Lá fora as ações caíram e os juros dos títulos do governo americano subiram, depois que o mercado passou a apostar com mais convicção que o banco central dos EUA vai aumentar os juros na reunião deste mês. O que liga as duas pontas é o petróleo, que voltou a passar de US$ 90 o barril com a tensão no Oriente Médio.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,00% e fechou aos 177.418,78 pontos. A alta veio da Petrobras, que ganhou 3,38% acompanhando o petróleo, e das construtoras, com MRV subindo 6,17% e Cyrela 5,52%. Mesmo com essa sequência de nove pregões positivos, agosto fechou levemente negativo, com queda de 0,33% no mês. O dólar recuou 0,31%, a R$ 5,180. Essa queda não veio de uma fraqueza da moeda americana no mundo, já que o índice que mede a força do dólar globalmente ficou praticamente parado no dia. Foi o real que se firmou por conta própria.

Nos Estados Unidos o dia foi de queda. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, recuou 0,33% e o Dow Jones perdeu 0,70%. O motivo é uma mudança de expectativa: depois do discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, o mercado passou a ver 66% de chance de o banco central americano aumentar os juros na reunião de 16 de setembro, em vez de cortá-los. A leitura é de que o Fed ainda não considera a inflação controlada, e o petróleo mais caro reforça essa preocupação. Juro mais alto nos EUA costuma atrair capital para lá e tende a pressionar moedas e bolsas de países emergentes, o Brasil incluído.

Para quem investe no Brasil, o efeito prático é que os juros seguem altos por mais tempo dos dois lados. Os títulos públicos brasileiros mais longos voltaram a pagar perto do topo do ano, com o prefixado para 2030 em 14,48% ao ano e o indexado à inflação de 2031 pagando 8,09% acima do IPCA. Isso muda o preço do dia a dia de quem investe, mas não muda a lógica de uma carteira bem montada, que é construída para o objetivo e o prazo de cada pessoa e não para o resultado de um pregão. Nesta terça sai o PIB brasileiro do segundo trimestre, que ajuda a medir o ritmo da economia por aqui.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa177.418,78 pontos+1,00%
DólarR$ 5,180-0,31%
S&P 5007.686,14-0,33%
Petróleo (Brent)US$ 90,49+1,32%
Índice do Dólar (DXY)99,43estável

Fechamento de 31/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Reunião do Fed em 16 de setembro. o mercado passou a ver 66% de chance de aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, que iriam para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A virada aconteceu depois da fala do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole. No mesmo dia, o Copom decide a Selic aqui no Brasil.
  • Tensão no Estreito de Ormuz. dois navios petroleiros foram atingidos por projéteis na madrugada desta terça enquanto passavam pelo corredor de Omã, segundo a empresa de inteligência marítima Marisks. O estreito é a rota por onde passa boa parte do petróleo do mundo, e episódios assim elevam o preço do barril.
  • PIB do segundo trimestre. o IBGE divulga nesta terça, às 9h, o desempenho da economia brasileira entre abril e junho. As projeções das instituições financeiras ficam entre 0,3% e 0,5% de crescimento em relação ao trimestre anterior, uma desaceleração ante o avanço de 1,1% registrado no começo do ano.
  • Contas públicas. a dívida bruta do governo brasileiro chegou a 82,5% do PIB em julho. O tema voltou à mesa na noite de segunda, em jantar do presidente Lula com empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, encontro em que as queixas sobre o nível dos juros dominaram a conversa, segundo o Globo.
  • Juros longos subindo no mundo. o título de 10 anos do Japão alcançou o maior nível desde 1996 e o equivalente de 2 anos do Reino Unido subiu 16,5 pontos-base nesta manhã. É um movimento global de investidores pedindo mais retorno para financiar governos endividados.

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