Bolsa brasileira sobe 1,85% na sexta, dólar recua a R$ 5,14 e o ouro fecha a semana no maior nível desde maio
A última sexta-feira (21/08) foi de apetite por risco. A bolsa brasileira teve um dos dias mais fortes do mês, o dólar cedeu e os juros futuros caíram, um combinado que costuma aparecer quando o investidor estrangeiro está mais disposto a comprar ativos de países emergentes. Por trás disso está uma decisão tomada em Washington na quarta-feira: o Tesouro americano anunciou que vai ao menos dobrar o tamanho das recompras de títulos públicos de prazo mais longo, uma intervenção para segurar a alta dos juros por lá. A medida enfraqueceu o dólar no mundo e empurrou dinheiro para ativos de proteção.
Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,85% e fechou aos 171.032 pontos, acumulando alta de 2,45% na semana. O motor foi o setor financeiro: a B3 subiu 5,23%, o Bradesco 3,11% e o Itaú 2,91%. O dólar comercial caiu 0,93% e fechou a R$ 5,144, o menor valor desde 10 de agosto. Vale a distinção: o índice que mede a força do dólar no mundo praticamente não se mexeu no dia. Foi o real que se valorizou por conta própria. Entre os fatores locais, o noticiário destacou a conversa por telefone entre os presidentes Lula e Trump, de 1 hora e 20 minutos, sobre comércio e diplomacia, com as equipes dos dois países voltando a negociar. Os juros futuros também recuaram, com quedas maiores nos vencimentos mais longos.
Lá fora, as bolsas americanas fecharam a sexta em alta, ainda que a semana tenha terminado no vermelho por lá. O destaque foi o ouro, que subiu 2,39% no dia e mais de 5% na semana, chegando ao maior nível desde maio, e nesta manhã já opera perto de US$ 4.700 a onça. Esse tipo de movimento costuma indicar que investidores estão buscando proteção, no caso diante do endividamento público americano e da própria intervenção do Tesouro no mercado de títulos. Nesta segunda-feira, as bolsas asiáticas devolveram parte do ganho, com Hong Kong recuando 1,89%, e os futuros americanos operam em leve queda. O mercado aguarda dois dados de inflação na quarta-feira e o simpósio de Jackson Hole, que reúne banqueiros centrais a partir de quinta.
Para quem investe no Brasil, uma semana como essa mostra o quanto os preços aqui dependem do humor externo. A queda dos juros futuros tende a favorecer quem carrega títulos prefixados e atrelados à inflação, já que esses papéis se valorizam quando as taxas cedem. O ponto de atenção é que boa parte do movimento veio de uma decisão pontual do Tesouro americano, e o próprio juro de 10 anos dos Estados Unidos já devolveu o alívio inicial em dois pregões. Semanas assim, de oscilação forte nos dois sentidos, são normais. O que sustenta uma carteira é a estratégia definida para o horizonte de cada investidor, não o resultado de um pregão isolado. Nossa equipe segue à disposição para conversar.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 171.032 pontos | +1,85% |
| Dólar | R$ 5,144 | -0,93% |
| S&P 500 | 7.674,37 | +0,43% |
| Ouro | US$ 4.624,10 | +2,39% |
| Índice do Dólar (DXY) | 98,80 | -0,10% |
Fechamento de 21/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Semana decisiva para a inflação. na quarta-feira (26/08) saem o IPCA-15 no Brasil, prévia da inflação oficial do mês, e o PCE nos Estados Unidos, indicador de preços preferido do banco central americano. São os dois números que mais podem mexer com os juros e com o câmbio nesta semana.
- Braskem pede recuperação extrajudicial. a petroquímica protocolou o pedido na Justiça de São Paulo na madrugada desta segunda-feira, com dívida de cerca de R$ 54 bilhões. A empresa ganha 90 dias de proteção para negociar um plano com os credores, em meio a um ciclo ruim para o setor petroquímico e aos custos ligados ao caso de Alagoas.
- Jackson Hole a partir de quinta. o encontro anual de banqueiros centrais nos Estados Unidos vai de 27 a 29 de agosto. É a ocasião em que costumam sair sinalizações sobre o rumo dos juros americanos, o que afeta diretamente o fluxo de capital para países como o Brasil.
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