Uma decisão do Tesouro americano derrubou os juros dos EUA e devolveu fôlego à Bolsa brasileira depois de 11 quedas seguidas
O que mudou o humor do mercado na quarta-feira (19/08) veio de Washington. O Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai dobrar o tamanho das operações em que recompra os próprios títulos de prazo mais longo, passando a US$ 4 bilhões por sessão. Quando o Tesouro compra, ele cria demanda pelo papel, o preço sobe e o juro que esse título paga cai. Foi exatamente o que aconteceu: o juro do título americano de 10 anos recuou de 4,71% para 4,65% e o dólar perdeu força contra praticamente todas as moedas, chegando ao nível mais fraco desde maio.
Aqui no Brasil o efeito foi imediato. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,90% e fechou aos 167.830 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda. Vale (+2,5%) e Petrobras puxaram a alta, com dinheiro estrangeiro voltando à bolsa depois de semanas de saída. O dólar caiu 0,86% por aqui, para R$ 5,178. Dessa vez não foi o real que se fortaleceu sozinho: foi o dólar que enfraqueceu no mundo inteiro, e o real apenas acompanhou. Os juros futuros brasileiros também cederam, movimento que valoriza os títulos de renda fixa que já estão nas carteiras.
Lá fora o dia teve dois tempos bem distintos. Enquanto a América ainda dormia, a Ásia viveu um pregão violento: a bolsa da Coreia do Sul despencou 5,80%, com Samsung caindo 7,3% e SK Hynix 8,6%, e chegou a ter as negociações interrompidas automaticamente. A liquidação foi concentrada em ações de semicondutores. O Japão caiu 3,2% e a China, 2,4%. Só no fim da tarde em Nova York, com o anúncio do Tesouro, o humor virou. O S&P 500 fechou em leve alta de 0,21%, o ouro subiu 2,83%, para US$ 4.489 a onça, e o Bitcoin saltou 7%. Na manhã desta quinta-feira a Ásia já devolvia boa parte da queda.
Para quem investe daqui, o recado é de alívio com ressalva. A recompra de títulos é uma medida de gestão de dívida: ela melhora o preço dos papéis americanos hoje, mas não altera a situação fiscal dos Estados Unidos que está por trás dos juros altos. Na mesma tarde saiu a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, e ela veio dura: três dos doze dirigentes já votaram por subir os juros. Um dia como o de ontem melhora a marcação das carteiras, e um dia como o da Ásia lembra o quanto isso oscila. O que sustenta resultado é a carteira montada para o horizonte de cada investidor, não a leitura de um pregão isolado.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 167.830 pontos | +0,90% |
| Dólar | R$ 5,178 | -0,86% |
| S&P 500 | 7.707,98 | +0,21% |
| Bolsa da Coreia do Sul | 6.471,17 | -5,80% |
| Ouro | US$ 4.489 | +2,83% |
Fechamento de 19/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Ata do Federal Reserve veio mais dura. divulgada na tarde de ontem, a ata da reunião de julho mostrou que a decisão de manter os juros americanos entre 3,50% e 3,75% foi tomada por nove votos a três, com três dirigentes defendendo alta de 0,25 ponto. O documento aponta tarifas comerciais, energia mais cara por causa do Oriente Médio e o gasto com inteligência artificial como fontes de pressão nos preços.
- Susto nos semicondutores asiáticos. a queda de 5,80% na bolsa sul-coreana foi puxada por Samsung e SK Hynix, as duas maiores fabricantes de memória do mundo, e acionou o mecanismo automático que interrompe as negociações. O mercado vem oscilando forte com a discussão sobre até onde vai o ciclo de investimento em inteligência artificial. Nesta quinta-feira a região recuperava boa parte da perda.
- Agenda da semana. o Conselho Monetário Nacional se reúne nesta quinta-feira em Brasília e a ata do Banco Central Europeu sai pela manhã. Na sexta-feira saem as prévias dos indicadores de atividade de agosto nos Estados Unidos, Europa e Reino Unido, que ajudam a medir o ritmo da economia global.
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