Bolsa brasileira emenda a 11ª queda seguida enquanto o petróleo sobe pelo quarto pregão
O pregão de terça-feira (18/08) terminou com o petróleo mandando no humor dos mercados. O barril de Brent fechou a US$ 91,02, na quarta alta consecutiva, depois que o presidente americano Donald Trump afirmou que não há nenhuma negociação em andamento com o Irã e que o bloqueio naval no Estreito de Ormuz continua valendo. O estreito é a passagem marítima por onde escoa boa parte do petróleo do Oriente Médio, e cada dia sem acordo empurra o preço do barril para cima.
Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,27% e fechou aos 166.334 pontos. Foi a 11ª queda consecutiva, a pior sequência em três anos, e no mês o índice já perde 6,51%. Bancos e varejo lideraram as baixas. O peso maior vem do investidor estrangeiro, que retirou R$ 15,6 bilhões da bolsa em agosto até o dia 14, a maior saída mensal desde janeiro de 2022. O dólar subiu 0,40% e fechou a R$ 5,2216. O índice que mede a força do dólar no mundo ficou praticamente parado no mesmo dia, então o movimento foi do real, não uma valorização geral da moeda americana.
Nos Estados Unidos, o S&P 500, principal índice da bolsa americana, recuou 0,69%. O juro dos títulos do governo americano de 30 anos segue perto de 5,3%, o maior patamar desde 2007, e juro alto lá fora tira atratividade das bolsas no mundo todo. Nesta quarta de manhã o efeito apareceu com força na Ásia: a bolsa do Japão caiu 3,2% e a da Coreia do Sul, 5,8%, com as fabricantes de chips Samsung e SK Hynix despencando quase 8% e 10%. No Reino Unido, a inflação de julho subiu para 2,9%, puxada pela conta de energia, primeiro sinal claro de que o petróleo caro começou a aparecer nos índices de preços.
Para quem investe daqui, vale separar o barulho do que de fato muda uma carteira. Uma sequência de 11 pregões de queda na bolsa incomoda, e ao mesmo tempo o país segue com juros elevados que remuneram bem a renda fixa, inclusive os títulos atrelados à inflação. Choques geopolíticos como este podem se desfazer tão rápido quanto apareceram, como já aconteceu em junho e julho deste ano. Decisões de carteira olham para o objetivo e o prazo de cada investidor, não para o pregão de ontem. Nossa equipe está à disposição para conversar sobre a sua.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 166.334 pontos | -0,27% |
| Dólar comercial | R$ 5,2216 | +0,40% |
| S&P 500 (EUA) | 7.691,76 pontos | -0,69% |
| Petróleo (Brent) | US$ 91,02 | +0,17% |
| Índice do Dólar (DXY) | 99,65 | +0,01% |
Fechamento de 18/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Ata do Fed hoje. o banco central americano divulga às 15h a ata da reunião de julho. Desde que Kevin Warsh assumiu a presidência do Fed em maio, os comunicados ficaram mais curtos e sem indicação do rumo dos juros, o que transformou a ata na principal fonte de leitura do mercado sobre o tema.
- Impasse no Estreito de Ormuz. Trump afirmou que a via marítima permanece aberta, e o Irã contesta a versão. Enquanto o impasse durar, o petróleo reage a cada declaração, e isso chega ao brasileiro pela conta de combustível e pelas ações da Petrobras.
- Estrangeiro vendendo na B3. a saída de capital externo da bolsa somou R$ 15,6 bilhões em agosto até o dia 14. Só no dia 11 foram R$ 4,7 bilhões, o maior fluxo negativo em um único dia desde abril de 2021. Incerteza eleitoral, juros altos e sinais de desaceleração da economia aparecem entre os motivos citados pelas casas de análise.
- CMN se reúne quinta. o Conselho Monetário Nacional, órgão que define as diretrizes gerais do sistema financeiro brasileiro, tem reunião marcada para quinta-feira (20/08).
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