Prazo para acordo entre EUA e Irã vence sem entendimento, petróleo sobe de novo e o Ibovespa emenda a décima queda seguida
O prazo de 60 dias que Estados Unidos e Irã tinham para fechar um acordo terminou na segunda-feira (17/08) sem nenhum entendimento. Em entrevista à Fox News, o presidente americano ainda ameaçou bombardear Omã caso o país atrapalhe as conversas sobre o Estreito de Ormuz, passagem por onde escoa boa parte do petróleo consumido no mundo. O petróleo reagiu na hora: o Brent, referência internacional, subiu 2,65% e fechou a US$ 90,87 o barril.
No Brasil, o Ibovespa caiu 0,09% e fechou aos 166.784 pontos. A queda foi pequena, mas foi a décima sessão seguida no negativo, com os grandes bancos entre os principais pesos do dia (Banco do Brasil recuou 2,34%, Bradesco 1,93% e Itaú 1,59%). O dólar caiu para R$ 5,201, recuo de 0,36%. Vale a distinção: o índice que mede a força do dólar contra as moedas do mundo praticamente não se mexeu, recuou só 0,09%. Foi o real que se valorizou por conta própria, e não o dólar que enfraqueceu lá fora. No campo dos dados, a prévia do PIB brasileiro de junho veio pior que o esperado, com queda de 0,6%, e o boletim Focus reduziu a projeção de crescimento para 2027.
Lá fora, o petróleo mais caro pesou sobre as bolsas. O S&P 500, principal índice acionário americano, caiu 0,52%, e o VIX, indicador que mede o nervosismo dos investidores, subiu 6,6%. Nesta terça-feira de manhã a tensão continuou: um navio que atravessava o Estreito de Ormuz foi atingido por um projétil na madrugada, com danos na casa de máquinas e um tripulante ferido, segundo a autoridade marítima britânica. As bolsas asiáticas fecharam em queda, com o índice japonês Nikkei recuando 2,5%.
Para quem investe daqui, o ponto de atenção é o petróleo. Quando o barril sobe e permanece alto, o efeito costuma aparecer nos combustíveis e, com o tempo, na inflação, o que mexe com juros e com a renda fixa. Por enquanto o mercado brasileiro não está tratando esse choque como inflacionário: as taxas dos títulos públicos até recuaram um pouco na segunda. Uma sequência de dez pregões em baixa diz mais sobre o humor de curto prazo do que sobre o valor das empresas. Carteira bem montada olha para prazo, objetivo e perfil de cada investidor, não para o placar de um pregão. Qualquer dúvida, sua equipe está à disposição.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 166.784 pontos | -0,09% |
| Dólar | R$ 5,201 | -0,36% |
| S&P 500 | 7.745,06 | -0,52% |
| Petróleo (Brent) | US$ 90,87 | +2,65% |
| Índice do Dólar (DXY) | 99,58 | -0,09% |
Fechamento de 17/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Estreito de Ormuz. a janela de negociação entre Estados Unidos e Irã venceu na segunda sem acordo, e o petróleo subiu logo após a fala do presidente americano ameaçando Omã. Na madrugada desta terça, um navio foi atingido por um projétil ao atravessar o estreito. Ninguém reivindicou a autoria até agora.
- Atividade mais fraca no Brasil. o IBC-Br, indicador do Banco Central conhecido como prévia do PIB, caiu 0,6% em junho, pior que a queda de 0,53% que o mercado esperava. O boletim Focus manteve a projeção de inflação de 2026 em 5,02% e cortou a estimativa de crescimento de 2027 para 1,50%.
- Juros nos Estados Unidos. a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, sai nesta quarta-feira (19/08) e deve mostrar como os dirigentes avaliam a inflação puxada por energia. Casas como o Wells Fargo já trabalham com juro americano parado na faixa atual até o fim de 2026.
- Combustíveis. segue em vigor a medida provisória editada em maio que permite ao governo subsidiar produtores e importadores de combustíveis para segurar o repasse da alta internacional do petróleo. Com o Brent de volta aos US$ 91, o custo dessa medida volta a ser discutido.
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