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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 13/08/2026 (quinta-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Bolsa brasileira emenda a oitava queda seguida enquanto a bolsa americana bate recorde

O pregão de quinta-feira (13/08) terminou com os mercados brasileiro e americano andando em direções opostas. Nos Estados Unidos, dois dados de inflação divulgados na sequência vieram mais fracos do que o mercado esperava, e isso animou os investidores por lá. Aqui, a Bolsa fechou no vermelho pelo oitavo dia consecutivo, uma sequência negativa que não se via desde 2023, com o investidor estrangeiro continuando a retirar dinheiro do país.

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,23% e fechou aos 167.101 pontos. Somando os oito pregões de queda, a perda chega a 6,12%. Segundo dados citados pelo Money Times, a saída líquida de capital estrangeiro da Bolsa passa de R$ 12 bilhões somente em agosto, e casas de análise ligam essa retirada ao debate fiscal do ano eleitoral. A temporada de balanços do segundo trimestre também produziu movimentos fortes em ações específicas: a Hapvida caiu 33,09% depois de reportar gastos com processos judiciais bem acima do previsto, e o Banco do Brasil recuou 4,05% mesmo com lucro acima das estimativas. Do outro lado, MRV subiu 14,29% e Rede D'Or, 6,31%. O dólar comercial fechou a R$ 5,1930, alta de 0,25% e quarta alta seguida.

Lá fora o clima foi outro. O índice de preços ao produtor de julho nos Estados Unidos ficou estável no mês, abaixo do que se esperava, e a alta acumulada em doze meses caiu de 5,5% para 4,7%. Na véspera, a inflação ao consumidor por lá já havia recuado de 3,5% para 3,4% no ano. Com isso, os investidores passaram a descartar uma nova alta de juros pelo banco central americano no curto prazo, e o S&P 500, principal índice da bolsa dos EUA, fechou em máxima histórica, aos 7.798,99 pontos. No câmbio, o índice que mede a força do dólar contra as principais moedas do mundo caiu 0,05% no dia. O dólar não subiu no mundo, foi o real que perdeu valor de novo.

Para quem investe daqui, o recado do pregão é sobre diversificação. O que puxou a Bolsa brasileira para baixo foi um fator local, ligado ao fluxo de estrangeiros e ao calendário político, num momento em que o nervosismo global segue baixo. Carteiras que combinam renda fixa com juros ainda em patamar alto, bolsa brasileira e alguma exposição internacional sentiram muito menos esse movimento do que quem está concentrado em ações locais. Sequências de queda como essa fazem parte do funcionamento normal do mercado e não mudam, por si só, o plano de quem investe pensando em anos.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa167.101 pontos-0,23%
DólarR$ 5,1930+0,25%
S&P 5007.798,99+0,65%
Petróleo (Brent)US$ 87,07-2,15%
Índice do Dólar (DXY)99,96-0,05%

Fechamento de 13/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Juros brasileiros seguem em 14% ao ano. a ata da última reunião do Copom, divulgada na terça (11/08), afirma que expectativas de inflação desancoradas exigem juros altos por mais tempo. A Selic caiu de 14,25% para 14,00% no início do mês, no quarto corte seguido, e as projeções do mercado apontam 13,75% no fim de 2026. Na prática, a renda fixa continua pagando taxas elevadas.
  • Petróleo interrompe seis altas seguidas. o Brent recuou 2,15% e fechou a US$ 87,07 depois que a Agência Internacional de Energia reduziu sua projeção de consumo mundial. A avaliação da agência é que o conflito prolongado no Oriente Médio e o preço mais alto já começam a pesar sobre a demanda. Mesmo assim, a Petrobras subiu no dia, com PETR4 em alta de 1,09%.
  • Energia mais cara no mundo em 2026. o Banco Mundial projeta alta de 24% nos preços de energia neste ano, o maior patamar desde a invasão da Ucrânia em 2022. O motivo é a interrupção no Estreito de Ormuz, passagem por onde escoam cerca de 35% de todo o petróleo transportado por mar. É um fator que segue influenciando a inflação global.
  • Jackson Hole no fim do mês. o simpósio acontece entre 27 e 29 de agosto e reúne banqueiros centrais do mundo todo no estado americano de Wyoming. Kevin Warsh fará o primeiro discurso dele como presidente do banco central americano, e o mercado deve buscar ali pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos.

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