Inflação americana em queda anima o exterior, mas a bolsa brasileira fecha no vermelho pela sétima vez seguida
A quarta-feira (12/08) teve duas histórias diferentes rodando ao mesmo tempo. Nos Estados Unidos, saiu a inflação de julho e ela veio melhor do que se temia: os preços subiram 0,1% no mês e 3,4% em doze meses, contra 3,5% em junho. O chamado núcleo da inflação, que tira comida e energia da conta para mostrar a tendência de fundo, ficou em 2,5%, a menor leitura desde 2021. Com isso, a chance de o banco central americano subir juros em setembro caiu de 46% para 38% na conta do mercado.
No Brasil o dia foi outro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,23% e fechou aos 167.491 pontos, na sétima queda seguida e no menor nível desde janeiro. O gatilho da semana foi o JPMorgan, que na terça reduziu sua recomendação para ações brasileiras de "acima da média" para "neutra" e cortou a projeção do Ibovespa para o fim do ano de 190 mil para 185 mil pontos, citando desaceleração da economia, piora no crédito e incerteza política em ano de eleição. O dólar subiu 0,36% e fechou a R$ 5,179. O índice que mede a força do dólar no mundo subiu 0,19% no mesmo dia, ou seja, parte da alta veio do dólar forte lá fora e parte foi do real mesmo.
Lá fora, o clima foi de calma. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, subiu 0,26%, e o VIX, termômetro que mede o nervosismo dos investidores, recuou para 14,55, perto do menor nível do mês. O petróleo continua sendo o ponto de atenção: o barril do tipo Brent fechou a US$ 88,98, praticamente de lado no dia, mas 12% acima de onde estava no início de agosto, por causa da disputa entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Nesta quinta de manhã, o barril recua perto de 2%.
Para quem investe no Brasil, sequências de queda como essa incomodam, mas raramente contam a história inteira. Quando a bolsa cai por prêmio de risco político e não por deterioração dos lucros das empresas, o movimento tende a ser mais volátil e menos permanente. A mesma abertura de juros que pressiona as ações faz a renda fixa passar a pagar taxas mais altas, e uma carteira montada com as duas coisas absorve semanas assim com menos solavanco. A inflação brasileira, aliás, veio fraca em julho: o IPCA subiu apenas 0,07% e o acumulado de doze meses recuou para 4,44%.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 167.491 pontos | -0,23% |
| Dólar | R$ 5,179 | +0,36% |
| S&P 500 | 7.748,50 | +0,26% |
| Petróleo (Brent) | US$ 88,98 | +0,08% |
| Índice do Dólar (DXY) | 100,01 | +0,19% |
Fechamento de 12/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Inflação americana desacelera. os preços ao consumidor nos EUA subiram 3,4% em doze meses até julho, ante 3,5% em junho, e o núcleo caiu para 2,5%, menor nível desde 2021. Energia recuou 1,5% pelo segundo mês seguido. Nesta quinta sai o índice de preços ao produtor, que serve de confirmação para essa leitura.
- Juros parados em 14% ao ano. a Selic ficou inalterada na reunião de 5 de agosto e a ata do Copom foi divulgada na terça. Com o IPCA de julho em 0,07% e o acumulado de doze meses em 4,44%, a inflação corrente dá algum espaço ao Banco Central, mas os preços de serviços seguem sendo o ponto que segura pressa em cortar.
- Petróleo e o Estreito de Ormuz. a tensão entre Estados Unidos e Irã manteve o Brent 12% acima do nível do início do mês. O seguro contra risco de guerra para navios na região saltou de 0,25% do valor do casco para algo entre 3% e 10%, o que encarece o transporte e sustenta o preço do barril.
- Balanços do trimestre. nesta quinta divulgam resultados, após o fechamento do mercado, MBRF, Braskem, Cemig, CPFL, Cyrela, Yduqs e Raízen. Pela manhã, o IBGE publica as vendas no varejo de junho.
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