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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 11/08/2026 (terça-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Bolsa brasileira cai 2,50% depois que o JPMorgan reduziu sua recomendação para o Brasil

O pregão de terça-feira (11/08) foi o pior da bolsa brasileira desde março. O gatilho veio de fora: o banco americano JPMorgan rebaixou sua recomendação para ações brasileiras, saindo de uma posição acima da média para uma posição neutra dentro da América Latina, e reduziu sua projeção do Ibovespa para o fim de 2026 de 190 mil para 185 mil pontos. No relatório, o banco escreveu que o ciclo de corte de juros por aqui está chegando ao fim justamente quando a economia desacelera, e que preferiu reduzir exposição antes da volatilidade típica de um ano eleitoral.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou a 167.874 pontos, queda de 2,50% e a sexta baixa consecutiva. Bancos lideraram as perdas. No mesmo dia saíram dois dados que pesaram: o IPCA de julho subiu 0,07%, um pouco acima do 0,03% esperado pelos economistas, com a inflação de serviços ainda resistente, e a ata do Copom trouxe tom mais duro, afirmando que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os prazos. Depois disso, casas como XP, ASA e C6 Bank passaram a projetar a Selic parada em 14,00% até dezembro. O dólar subiu 0,98%, para R$ 5,161, enquanto o índice que mede a força da moeda americana no mundo ficou praticamente parado. Não foi o dólar que subiu, foi o real que enfraqueceu.

Lá fora o dia foi bem mais calmo. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, recuou apenas 0,32%, e o VIX, termômetro do nervosismo dos investidores, chegou a cair. O que segue subindo é o petróleo, na sexta alta seguida, com o Brent fechando a US$ 88,91 o barril. O motivo é o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial e que continua fechado pelo Irã. Na segunda-feira apenas 6 navios cruzaram o estreito, contra 125 a 140 por dia antes do conflito. Esse petróleo caro alimenta a inflação americana, e o mercado já trabalha com chance relevante de o banco central dos EUA voltar a subir juros em setembro, o que costuma tirar dinheiro de países emergentes.

Para quem investe no Brasil, o ponto que merece atenção é que a queda foi bem mais local do que global. A bolsa americana praticamente não se mexeu no mesmo dia, e o movimento veio de uma mudança de opinião de um banco somada a dois dados domésticos. Movimentos assim são rápidos e costumam ser igualmente rápidos na volta quando o humor muda. Uma carteira montada com objetivos e prazos definidos não precisa reagir a um único pregão. Se quiser entender o efeito específico disso na sua posição, seu assessor está à disposição.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa167.874 pontos-2,50%
DólarR$ 5,161+0,98%
S&P 5007.728,20-0,32%
Petróleo (Brent)US$ 88,91+1,36%
Índice do Dólar (DXY)99,82+0,01%

Fechamento de 11/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Inflação americana sai hoje. o CPI de julho nos Estados Unidos é divulgado às 9h30. Os economistas esperam alta de 0,1% no mês e 3,4% em doze meses. É o dado que vai definir se o banco central americano sobe ou não os juros em setembro, decisão que costuma mexer com o câmbio e com a bolsa por aqui.
  • Petróleo na sexta alta seguida. o Estreito de Ormuz continua fechado pelo Irã, que condiciona a reabertura ao fim das sanções americanas. O Brent já subiu cerca de 12% em uma semana. Petróleo caro pressiona combustíveis e alimentos, e o governo brasileiro mantém desde março a alíquota zero de PIS e Cofins sobre combustíveis para segurar o repasse.
  • Selic deve ficar parada em 14%. o Copom cortou a taxa em 0,25 ponto no dia 05/08, mas a ata publicada nesta terça mostrou um Banco Central preocupado com expectativas de inflação acima da meta. Para quem tem renda fixa pós-fixada na carteira, isso significa que o rendimento atual tende a se manter por mais tempo.
  • Investidor estrangeiro reduzindo posição. a saída de capital externo da bolsa somou R$ 3,3 bilhões no mês de agosto. O saldo do ano recuou do pico de R$ 69,1 bilhões em abril para R$ 37,8 bilhões. É um dos fatores por trás das seis quedas seguidas do índice.
  • Temporada de balanços. o Banco do Brasil divulga resultado nesta quarta. Na terça, o BTG Pactual reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, alta de 23% em um ano, e mesmo assim a ação caiu 5,80% no dia geral de aversão a risco.

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