O petróleo voltou a subir forte com o Estreito de Ormuz fechado, e a bolsa brasileira sentiu menos que o resto do mundo
A segunda-feira teve um driver só, e ele veio do Oriente Médio. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que o Estreito de Ormuz continua fechado até que os Estados Unidos aceitem as condições de Teerã, entre elas o fim do bloqueio aos portos iranianos e a retirada das sanções. Por Ormuz passa uma parcela enorme do petróleo negociado no mundo, então a notícia jogou o barril do tipo Brent para US$ 87,72, alta de 4,99% em um único pregão e mais de 5% considerando as três últimas sessões.
No Brasil o efeito foi de mão dupla. O Ibovespa fechou em queda de apenas 0,19%, aos 172.180 pontos, e a perda só não foi maior porque Petrobras avançou 3,33% e Vale 1,28%, empurradas justamente pela alta das commodities. O dólar comercial subiu 0,53% e fechou a R$ 5,11, interrompendo uma sequência de quedas. Vale a distinção: o índice que mede o dólar contra as principais moedas do mundo subiu só 0,21% no mesmo dia, então a maior parte do movimento foi do real, não do dólar lá fora. Nos juros, os contratos mais longos abriram, com o vencimento de janeiro de 2031 marcando 14,37%.
Fora do Brasil, as bolsas americanas ficaram praticamente de lado, com o S&P 500 recuando 0,06%. O que chamou atenção foi o discurso do Federal Reserve: Beth Hammack, presidente da regional de Cleveland, trocou o tom de paciência por urgência no combate à inflação. O ouro seguiu no papel de proteção e fechou em alta de 0,49%, a US$ 4.361,80 a onça, e nesta manhã já opera perto de US$ 4.442. Um cargueiro ligado à Arábia Saudita também foi atingido por míssil no estreito de Bab el-Mandeb, com três tripulantes mortos, o que fecha mais uma rota alternativa de escoamento.
Para quem investe no Brasil, o ponto prático é que o petróleo alto pressiona combustível, combustível pressiona inflação, e inflação pressiona juros. O governo já destinou R$ 17,7 bilhões em subsídios a gasolina e diesel desde março, o que segura o preço na bomba mas aumenta o gasto público. Movimentos como esse costumam mexer bastante com o preço dos títulos no curto prazo, sem alterar o que uma carteira bem montada foi desenhada para entregar ao longo dos anos. Hoje saem a ata do Copom e o IPCA de julho, dois dados que ajudam a medir o tamanho real desse repasse.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 172.180 pts | -0,19% |
| Dólar comercial | R$ 5,11 | +0,53% |
| Petróleo Brent | US$ 87,72 | +4,99% |
| Ouro | US$ 4.361,80 | +0,49% |
| S&P 500 (EUA) | 7.753 pts | -0,06% |
Fechamento de 10/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
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