Banco Central corta os juros para 14% ao ano, a quarta redução seguida
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na noite de quarta-feira (05/08) reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, de 14,25% para 14% ao ano. Foi a quarta queda consecutiva, todas de 0,25 ponto percentual, e desta vez a decisão foi unânime entre os membros do comitê. O Banco Central justificou o corte apontando a melhora recente da inflação, com o IPCA-15 de julho acumulando 4,52% em doze meses, e sinais de que a atividade econômica vem perdendo ritmo.
Como o anúncio saiu depois do fechamento dos mercados, o pregão de quarta transcorreu sem grandes movimentos. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, terminou aos 177.726 pontos, praticamente de lado, com queda de 0,09%. RD Saúde e GPA subiram mais de 5% no dia, enquanto a Petrobras recuou 1,34%, acompanhando a queda do petróleo no exterior. O dólar comercial fechou a R$ 5,128, com recuo de 0,06%. Esse movimento não foi um fortalecimento do real: o índice que mede a força do dólar frente às principais moedas do mundo também caiu, 0,20% no dia. Foi o dólar que perdeu terreno lá fora.
Lá fora, o assunto continua sendo o Oriente Médio. Irã e Omã fecharam um acordo sobre um corredor de navegação que reabre parcialmente o Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo mundial. O barril do tipo Brent, que valia US$ 90 no fim de julho, fechou quarta a US$ 79,45, uma queda de quase 12% em três pregões. Com menos receio de que a energia mais cara empurrasse a inflação global para cima, o ouro subiu 3,67% no dia e voltou ao patamar de US$ 4.245 a onça. Nos Estados Unidos, o Dow Jones renovou a máxima histórica e o S&P 500 recuou 0,17%. Na Ásia, as bolsas amanheceram nesta quinta pressionadas pelas ações de semicondutores, com a bolsa da Coreia do Sul caindo mais de 4%.
Para quem investe, juros básicos menores significam que aplicações atreladas ao CDI passam a render um pouco menos ao longo do tempo, ainda que o patamar de 14% siga alto em qualquer comparação histórica. O próprio Banco Central deixou claro que o ambiente segue incerto e que os próximos passos dependerão dos dados, sem se comprometer com o ritmo. Uma carteira bem construída se sustenta nos objetivos e no prazo de cada investidor, não na leitura de um único pregão ou de uma única decisão. Nossa equipe está à disposição para conversar sobre o que isso muda no seu caso.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 177.726 pontos | -0,09% |
| Dólar | R$ 5,128 | -0,06% |
| S&P 500 | 7.723,55 | -0,17% |
| Petróleo (Brent) | US$ 79,45 | +0,11% |
| Ouro | US$ 4.245,80 | +3,67% |
Fechamento de 05/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Selic a 14% ao ano. a decisão foi unânime e veio em linha com o que os economistas esperavam. O comunicado do Banco Central não indica quando nem de quanto será o próximo corte, e menciona a necessidade de "serenidade e cautela". A ata da reunião, com o detalhamento do raciocínio do comitê, sai na próxima terça-feira (11/08).
- Estreito de Ormuz. o acordo entre Irã e Omã para reabrir parcialmente a passagem tirou pressão do petróleo, que acumula queda de quase 12% em três pregões. Nesta quinta pela manhã o barril esboça recuperação, com alta de 1,07%. Petróleo mais barato costuma aliviar os preços de combustíveis e, por consequência, a inflação medida no Brasil.
- Ações de tecnologia sob pressão na Ásia. a bolsa da Coreia do Sul caiu 4,58% nesta quinta, com SK Hynix recuando 10% e Samsung Electronics 6%. Investidores estrangeiros venderam o equivalente a mais de US$ 1 bilhão no dia. O movimento veio na esteira da fraqueza das ações de semicondutores ligadas a inteligência artificial em Nova York.
- Emprego nos EUA nesta sexta. o governo americano divulga o relatório de vagas criadas em julho às 9h30 no horário de Brasília. É o último retrato do mercado de trabalho antes da reunião do Federal Reserve, o banco central americano, em setembro, e costuma mexer com bolsas e câmbio no mundo todo.
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