Perspectiva de acordo no Estreito de Hormuz derruba o petróleo e anima o mundo, mas o Ibovespa fica de lado à espera do Copom
A terça-feira (04/08) foi marcada por uma notícia vinda do Oriente Médio. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou em entrevista que Estados Unidos e Irã podem fechar nos próximos dias um acordo para liberar a navegação de navios comerciais no Estreito de Hormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. O Catar, que intermedeia as conversas, confirmou que uma proposta já foi redigida. O resultado foi imediato nos preços: o petróleo Brent caiu 4,73% e voltou para a casa dos US$ 80 o barril. Vale a ressalva de que tanto o Catar quanto Bessent deixaram claro que ainda não existe acordo assinado.
Aqui no Brasil, o dia foi de espera. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.894 pontos, em um pregão de volume fraco. Por baixo dessa estabilidade houve bastante movimento entre setores: a Vale recuou 3,19% acompanhando a fraqueza do minério de ferro e a Petrobras caiu 0,9% junto com o petróleo, enquanto a Embraer subiu 3,1% depois que o BNDES aprovou um financiamento de até R$ 3,7 bilhões para a exportação de até 19 jatos a uma companhia aérea canadense. O dólar subiu 0,87% e fechou a R$ 5,131. Aqui cabe uma observação importante: o índice que mede a força do dólar frente às demais moedas do mundo ficou praticamente estável no dia. Ou seja, não foi o dólar que se fortaleceu globalmente, foi o real que se enfraqueceu por razões locais.
No exterior o clima foi bem mais animado. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, subiu 1,79%, combinando o alívio geopolítico com uma temporada de resultados corporativos acima do esperado. Nesta manhã de quarta-feira o movimento ganhou força na Ásia, puxado pelo setor de semicondutores: a bolsa do Japão subiu 3,66% e a da Coreia do Sul 3,76%, com a japonesa SoftBank avançando mais de 10% e a sul-coreana SK Hynix cerca de 6%. As bolsas europeias abriram próximas da estabilidade e os futuros americanos apontam para uma abertura em leve alta.
Para o investidor brasileiro, a atenção do dia se volta para dentro de casa. O Banco Central anuncia hoje, às 18h30, a nova taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano, e a maior parte do mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual. Um petróleo mais barato tende a ajudar no controle da inflação ao longo do tempo, o que costuma ser um vento a favor para quem tem parte da carteira em renda fixa atrelada a juros e inflação. Ao mesmo tempo, esse tipo de alívio geopolítico pode se reverter rápido se as conversas travarem. Como sempre, reforçamos que decisões de carteira devem olhar para o longo prazo e para os objetivos de cada investidor, não para o movimento de um único pregão. Qualquer dúvida, nossa equipe está à disposição.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 177.894 pontos | -0,06% |
| Dólar | R$ 5,131 | +0,87% |
| S&P 500 | 7.736,52 | +1,79% |
| Petróleo (Brent) | US$ 79,82 | -4,73% |
| Índice do Dólar (DXY) | 99,89 | -0,07% |
Fechamento de 04/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Copom decide a Selic hoje. a taxa básica de juros está em 14,25% ao ano, o menor patamar de 2026 depois de três cortes seguidos de 0,25 ponto percentual em março, abril e junho. O mercado espera mais um corte da mesma magnitude, para 14,00%. O anúncio sai às 18h30, e o comunicado que acompanha a decisão costuma importar tanto quanto o número em si.
- Petróleo e o Estreito de Hormuz. o Brent caiu 4,73% depois que autoridades americanas e o Catar sinalizaram avanço em um acordo interino com o Irã para liberar a passagem de navios comerciais. O Irã estuda permitir que países europeus retirem as minas do estreito, o que representa uma flexibilização em relação à sua posição pública. Ainda não há acordo fechado.
- Expectativas de inflação em queda. o Boletim Focus divulgado em 3 de agosto reduziu a projeção do mercado para a Selic de 2026 de 14,00% para 13,75%, a primeira revisão para baixo desde março. A projeção de IPCA para o ano também caiu, de 5,12% para 5,03%, na quinta semana consecutiva de redução.
- Temporada de balanços. a divulgação de resultados do segundo trimestre segue a todo vapor na B3. Nesta quarta-feira é a vez de Bradesco, Klabin, TOTVS, CSN Mineração e Copel apresentarem seus números, depois do fechamento do pregão.
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