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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 03/08/2026 (segunda-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Petróleo desaba com sinal de trégua entre EUA e Irã, Wall Street dispara e a bolsa brasileira fica no zero a zero

A segunda-feira (03/08) foi dominada por uma única notícia. O presidente americano Donald Trump cancelou um ataque que estava planejado contra a infraestrutura de energia do Irã e anunciou o início de negociações com Teerã. O mercado leu isso como o começo de uma trégua e tratou de tirar do preço do petróleo o prêmio de guerra que tinha sido embutido em julho. O barril do tipo Brent, referência internacional, caiu 4,73% e fechou a US$ 83,77. Ao longo de julho, esse mesmo contrato havia subido mais de 20% por causa dos combates entre americanos e iranianos.

No Brasil, o efeito dessa notícia veio dividido. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia aos 178.000 pontos, com variação de 0,00%. Foi um empate técnico entre dois grupos de ações: Vale (queda de 2,15%) e Petrobras (queda de 0,85%) sofreram com a queda das commodities, enquanto os grandes bancos subiram e compensaram a perda. O dólar comercial subiu 0,34% e fechou a R$ 5,087. Vale registrar que o índice que mede a força do dólar contra as principais moedas do mundo também subiu, 0,22% no dia, então praticamente todo esse movimento veio de um dólar mais forte lá fora e não de algum problema específico do real. O destaque positivo por aqui ficou nos juros futuros, que caíram de forma relevante na véspera da reunião do Banco Central.

Lá fora o dia foi de festa. O S&P 500, principal índice da bolsa americana, subiu 1,48%, e o Nasdaq, que concentra as empresas de tecnologia, avançou 2,13%. A lógica é direta: energia mais barata reduz custo para empresas e famílias e alivia a pressão sobre a inflação. Ajudou também o fato de o Federal Reserve, o banco central americano, ter mantido os juros entre 3,50% e 3,75% na reunião de julho. Na mesma linha, a OCDE informou que a inflação média dos países desenvolvidos caiu para 4,2% em junho, com o componente de energia explicando boa parte desse alívio.

Para o investidor brasileiro, o recado do dia é que um petróleo mais barato tende a ajudar no combate à inflação, o que costuma favorecer quem tem parte da carteira em renda fixa. Por outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de minério, então a mesma notícia que anima o mundo pesa sobre as ações das nossas maiores empresas. Convém lembrar ainda que a trégua não está confirmada: o governo iraniano nega publicamente que as negociações existam. Movimentos assim, que se formam e se desfazem em poucos dias, são exatamente o tipo de coisa que não deveria orientar decisões de carteira. O que importa continua sendo o horizonte de longo prazo e a adequação da carteira ao seu perfil.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa178.000 pontos0,00%
DólarR$ 5,087+0,34%
S&P 5007.600,50+1,48%
Petróleo (Brent)US$ 83,77-4,73%
Índice do Dólar (DXY)100,02+0,22%

Fechamento de 03/08/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Decisão de juros nesta quarta. o Comitê de Política Monetária do Banco Central começou ontem a reunião que define a taxa Selic, e o resultado sai na quarta-feira (05/08). A expectativa do mercado é de mais um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa de 14,25% para 14,00% ao ano. O Boletim Focus, pesquisa semanal que o Banco Central faz com economistas, revisou na segunda-feira a projeção da Selic no fim de 2026 de 14,00% para 13,75%.
  • Trégua ainda não confirmada. apesar do anúncio americano, o porta-voz da diplomacia do Irã negou que existam negociações em curso com os Estados Unidos. Segundo Teerã, as conversas atuais são apenas com Omã e tratam de garantir uma rota temporária de navegação segura no Estreito de Ormuz, por onde passa parte relevante do petróleo mundial. O tráfego na região segue reduzido.
  • Oferta de petróleo em alta. além da notícia diplomática, o preço do barril também foi pressionado pela OPEP+, grupo que reúne os maiores produtores mundiais. A aliança decidiu manter pelo sexto mês seguido a estratégia de aumentar a produção e vai colocar 188 mil barris por dia a mais no mercado a partir de setembro.
  • Emprego nos EUA na sexta. o Departamento do Trabalho americano divulga na sexta-feira (07/08) o relatório de criação de vagas de julho, conhecido como payroll. É o dado que o Federal Reserve mais acompanha para calibrar os juros americanos, e costuma mexer com os mercados no mundo todo, inclusive por aqui.

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