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Fechamento do dia

O que movimentou os mercados no último pregão, em linguagem direta. Publicado de segunda a sexta.

Fechamento do dia · pregão de 29/07/2026 (quarta-feira) · Leandro Spinelli, Assessor de Investimentos

Fed mantém os juros com placar dividido e petróleo volta aos US$ 90; bolsas caem 1,5% no Brasil e nos EUA

A quarta-feira (29/07) foi um dia de aversão ao risco no mundo, e por dois motivos ao mesmo tempo. O Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros onde estavam, mas a decisão veio com três diretores votando por uma alta, o maior número de discordâncias em anos. No mesmo dia, uma nova rodada de ataques no Oriente Médio jogou o preço do petróleo de volta para cima dos US$ 90 o barril. A combinação de juro americano parado no alto com energia mais cara azedou o humor dos investidores.

Por aqui, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 1,52% e fechou aos 173.885 pontos, acompanhando Nova York. As maiores quedas vieram das siderúrgicas, com a CSN recuando 7,80% e a Usiminas 4,26%. Na ponta oposta, a Petrobras subiu perto de 2% e evitou uma perda maior do índice, justamente porque se beneficia do petróleo mais caro. O dólar foi na direção contrária da bolsa e recuou 0,27%, para R$ 5,1084. Vale um detalhe importante: o índice que mede a força do dólar no mundo ficou praticamente estável, perto da máxima do mês. Ou seja, quem se valorizou foi o real por conta própria, não o dólar que perdeu força lá fora. Nos juros brasileiros, as taxas de prazo mais longo subiram, sinal de que o mercado passou a cobrar um prêmio maior para emprestar por muitos anos.

No cenário externo, o S&P 500 e a Nasdaq, principais índices da bolsa americana, caíram 1,52% e 1,74%, e o índice VIX, que mede o nível de nervosismo dos investidores, subiu mais de 13%. Os juros dos títulos do governo americano de prazo mais longo também abriram, com o papel de 30 anos chegando a 5,19% ao ano. Nesta quinta-feira de manhã o clima já é de recuperação: os futuros das bolsas americanas sobem, com a Microsoft ganhando mais de 8% antes da abertura após um resultado trimestral bem recebido, enquanto a Meta cai cerca de 9% depois de projetar receita mais fraca.

Para o investidor brasileiro, o ponto de atenção é o petróleo. Se a alta se sustentar, ela pressiona os combustíveis e, na sequência, a inflação, o que tende a manter os juros altos por mais tempo aqui e lá fora. O governo já sinalizou que deve prorrogar por cerca de dois meses os subsídios ao diesel e à gasolina, que venciam em 31 de julho, o que ajuda a amortecer parte desse efeito no curto prazo. Ainda assim, vale a lembrança de sempre: um único pregão, mesmo com movimentos fortes, não muda a lógica de uma carteira construída para o longo prazo. Qualquer dúvida, nossa equipe está à disposição.

Painel do dia

AtivoFechamentoVariação
Ibovespa173.885 pontos-1,52%
DólarR$ 5,1084-0,27%
S&P 5007.316 pontos-1,52%
Nasdaq24.443 pontos-1,74%
Petróleo (Brent)US$ 90,74+7,91%

Fechamento de 29/07/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.

No radar

  • Fed dividido. os juros americanos ficaram na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta reunião seguida, mas o placar foi de 9 votos a 3. Três presidentes de bancos regionais defenderam uma alta imediata, o maior número de discordâncias em anos. Kevin Warsh, presidente do Fed, manteve o comunicado curto e não deu pistas sobre os próximos passos.
  • Petróleo de volta aos US$ 90. o Brent subiu 7,91% e fechou a US$ 90,74 o barril depois de uma nova troca de ataques envolvendo Estados Unidos, Arábia Saudita e grupos ligados ao Irã. Os EUA também ampliaram sanções ligadas ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo do mundo.
  • Combustíveis no Brasil. os subsídios ao diesel e à gasolina venciam em 31 de julho. Segundo apuração da Reuters, o governo planeja prorrogá-los por cerca de dois meses em resposta à alta do petróleo. Hoje o desconto é de R$ 1,12 por litro no diesel e R$ 0,44 na gasolina.
  • Dados dos EUA nesta quinta. saem às 09h30 o PIB americano do segundo trimestre e o PCE de junho, o índice de inflação que o Fed acompanha mais de perto. A expectativa é de desaceleração da inflação, de 4,1% para 3,6% em doze meses, o que ajudaria a acalmar a discussão sobre novas altas de juros.

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