Lula é reeleito contra o que indicavam as pesquisas, e ativos brasileiros caem no exterior antes da abertura
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente no domingo (25/10), com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro. As pesquisas da reta final mostravam empate técnico ou Flávio ligeiramente à frente, e boa parte do mercado tinha se posicionado para a vitória dele. Por isso, os ativos brasileiros negociados fora do país caíram ainda no domingo à noite, antes de a bolsa brasileira abrir.
Na sexta-feira (23/10), último pregão antes da votação, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,47% e fechou aos 205.083 pontos, com alta de 10% no mês de outubro. O dólar caiu 0,90%, a R$ 4,99, o menor valor desde 9 de outubro, num dia em que a moeda americana se valorizou no resto do mundo. Ou seja, foi o real que ganhou força, com o mercado apostando no resultado eleitoral. Depois da apuração, o fundo que replica o Ibovespa na bolsa de Tóquio caiu 13%, o principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York chegou a perder perto de 20% fora do horário regular e o dólar no mercado futuro de Chicago subiu para o equivalente a R$ 5,52. São negócios com poucos participantes, que não indicam necessariamente como os preços vão fechar hoje. A preocupação citada pelos analistas é com as contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o ajuste fiscal será gradual.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 1,24% e o S&P 500 recuou 0,52% na sexta, com venda de ações de tecnologia e o petróleo caro no radar. O Brent, referência internacional do petróleo, subiu 3,14% e fechou a US$ 116,72 o barril, com o temor de uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda de manhã, o petróleo cede cerca de 1,5% depois que mediadores do Catar chegaram a Teerã para conversas coordenadas com os americanos, e as bolsas europeias operam em alta.
Logo depois de um resultado eleitoral que surpreende o mercado, ações, dólar e títulos de renda fixa com preço atualizado diariamente costumam oscilar bastante. Os analistas apontam as primeiras definições da equipe econômica como o próximo ponto de atenção. Para a carteira, o que conta é o objetivo de cada investidor no longo prazo, e qualquer mudança merece uma conversa com o assessor antes de ser feita no calor do dia.
Painel do dia
| Ativo | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 205.083 pontos | +0,47% |
| Dólar | R$ 4,993 | -0,90% |
| S&P 500 | 7.623,68 | -0,52% |
| Petróleo Brent | US$ 116,72 | +3,14% |
| Ouro | US$ 4.007,90 | -1,29% |
Fechamento de 23/10/2026. Fonte: dados públicos de mercado (B3 e provedores de cotações) e sites de notícias econômicas, com informações disponíveis no fechamento do pregão.
No radar
- Bancos revisam o Brasil. o Bradesco BBI rebaixou sua recomendação para a bolsa brasileira de acima da média para neutra na noite de domingo. O banco lembra que as ações brasileiras subiram cerca de 13% em dólar em outubro e projeta a dívida bruta do governo subindo de 83,6% para 88,2% do PIB.
- Renda fixa. o Tesouro Prefixado 2032 fechou a sexta pagando 12,89% ao ano, contra 14,15% antes do primeiro turno. Gestoras ouvidas pela imprensa esperam alta das taxas depois do resultado. Quando a taxa de um título sobe, o preço dele cai no curto prazo, o que aparece no extrato de quem tem esses papéis, mesmo sem venda.
- Fed na quarta (28/10). o banco central americano decide os juros, e a expectativa é de manutenção. Na quinta saem o PIB americano do terceiro trimestre e o PCE, índice de inflação acompanhado pelo Fed, e o Banco Central Europeu também decide os juros.
- Copom em 04/11. o Banco Central brasileiro volta a se reunir na semana que vem para decidir a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
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